A Janela Secreta
quero acordar, de repente. sair da cama. isso nunca acontece. sair dali porque só é possível sentir que ela prende. que me vai matar, que fora dela também não é seguro, mas parece que dá pra fugir. só quero fugir, correr. deixar de existir, morrer, sonhar em sempre de tudo e tudo branco. despedaçar o meu coração em fracções de nada. não sinto nada. não consigo sentir nada fouda-se. nem que te visse a fuder a minha frente com um tipo sem pele. não fazia nada. não sinto absolutamente nada. sou um fraco, sou um frango. só me preocupo em pensar quem gosta de mim e perco o ano todo a convencer me de que só me preocupo a pensar de quem gosto. só quero estar certo de que somos aquilo que realmente queremos, mesmo no evitar constante dos nossos instintos de lixo humano. mas neste momento nem esses consigo controlar minimamente. sou vácuo. sou a realimentação da minha propria auto-destruição, no infinito das constantes da vida. está tanto frio que se conseguisse sentir alguma coisa chorava de tão enregelado que estou. são 8 e tal da manha e só há espaço para sentir o frio do vazio. o frio de não querer ficar cá para o sentir mais. o frio de não existir.

