Monday, February 02, 2009

A Janela Secreta

quero acordar, de repente. sair da cama. isso nunca acontece. sair dali porque só é possível sentir que ela prende. que me vai matar, que fora dela também não é seguro, mas parece que dá pra fugir. só quero fugir, correr. deixar de existir, morrer, sonhar em sempre de tudo e tudo branco. despedaçar o meu coração em fracções de nada. não sinto nada. não consigo sentir nada fouda-se. nem que te visse a fuder a minha frente com um tipo sem pele. não fazia nada. não sinto absolutamente nada. sou um fraco, sou um frango. só me preocupo em pensar quem gosta de mim e perco o ano todo a convencer me de que só me preocupo a pensar de quem gosto. só quero estar certo de que somos aquilo que realmente queremos, mesmo no evitar constante dos nossos instintos de lixo humano. mas neste momento nem esses consigo controlar minimamente. sou vácuo. sou a realimentação da minha propria auto-destruição, no infinito das constantes da vida. está tanto frio que se conseguisse sentir alguma coisa chorava de tão enregelado que estou. são 8 e tal da manha e só há espaço para sentir o frio do vazio. o frio de não querer ficar cá para o sentir mais. o frio de não existir.

Friday, January 23, 2009

my blueberry nights

Li que eras bela e segura em ti, nos teus olhos, nos teus gestos e voz, na colocação das palavras, na tua cor e cabelos e certamente no teu cheiro. Ia ficando preso nele, sempre, somente, para tudo justificar, para nada alcançar, para sentir que sim, ou que não, ou para não sentir de todo. Se alguem me perguntar alguma coisa, só respondo o que não posso, em mim segurar como verdade, mas o que não respondo fica, dentro, onde é quente, mesmo que apenas da maneira que tem origem em mim. Mas era tão bom que nunca ficasse sozinho neste sonho, era tão bom que o sonhássemos juntos, mas torno-o assim egóista do ponto de vista em que só uso o altruismo, confessando que só me sinto feliz depois de ti, para me satisfazer a mim mesmo, roubando-lhe todo o sentido... se ao menos o conseguisse contradicção deste modo com tudo...

dasss

Cum camandro, isto ainda aqui está!
brutal.

Saturday, July 28, 2007

( )

só há certeza na dor. porquê não sei. ninguem sabe. não há saber e virgula nunca houve saber. saber a que? sabe me a muito pouco quando não sei nada, disso, nisto, é sempre. sempre nunca sei nada e sabe me a pouco ou a nada. se a nada eu sei que sabe é porque sabe a alguma coisa e nisto torna-se impossível ter sentido algum... ou nenhum. mas se o nada a que me sabe é alguma coisa, se calhar também sei alguma coisa. que no fim de tudo pode não ser nada mais que saber escrever palavras sobre o que não sei... que é tudo. logo sei nada. e volta a saber-me a pouco... ou a nada.

Monday, April 03, 2006

eu nao sei dançar

não ha quem dance e pense que em dançando os seus suportes emocionais perduram desfeitos em relação ao que pode ser considerado o proclamar de um ego mais afável à maneira de avistar melhor o mundo... triste existência a que levam, ao negar que abrem os desvios da eterna raiva e com ela podem surpassar todos os termos de comparação negativos, positivos, neutros, por uma tão pouca discussão de ideias ternas ao brilhar dos teus olhos... sim, é amargo o sabor da noite sem que a dança tenha por motivo prévio um trajecto minimamente pensado e ao mesmo tempo solto e livre para as premissas do imprevisto... desisto da visao materna e clara que insisto em ti... desisto porque vejo um desistir e danço por que desisto do que vi... que se ver é enganar os termos de comparaçao, entao os teus olhos estao errados... que se os teus olhos estao errados eu perco o passo... e perco a dança... e caio no chao...

Thursday, May 19, 2005

anjos caídos

nos bancos amarelos de madeira com farpas venenosas, os puros anjos amnésicos permanecem presos..... presos no sentido....na falta dele... na desistência da sua maximização, pois sem ela não são quem gostavam, sonhavam, ou até, estavam destinados a ser.... pelos que demais se soltam, sem demora nem segundos perdidos, são seguidamente confrontados pelos pregos ferrugentos que se dispõem como que estalactites e estalagmites do purgatório, e os anjos mais fracos vão caindo perdidos na consciência que faz as malas e desenha a trajectória de saída para os seus novos e cómodos lares...no fim dois ou três soltam silvos de alegria e uma luz baça e ofuscante rasga os seus pequenos olhos em forma de cenoura deixando-os cegos e inúteis diante da multidão que aplaude a morte das pobres criaturas....

Sunday, February 20, 2005

amo-te

em que canto seja que faça de mim um espaço ocupado nele...um espaço só...sem ti...onde te procuro infinitamente e te encontro por segundos e por segundos desapareces em mim, e em mim aconteces e reapareces inundando de pequenas faixas brilhantes e viciantes a minha visao tornando-a incapaz de ver o que seja, e o nao seja....só a ti vejo no meio de tudo o que descreve tudo o resto e so a ti quero ver... e ter....para mim....para ti...para nós...e em nós ser o que quiser...o que tu quiseres...o que me tolda de tudo o que nao descrevo e descreve tudo o que nao compreendo e me larga junto do teu ser...onde quero ficar para sempre, onde crio infinitas emoçoes e sensações a partir do imenso desejo que acordas em mim e me dá tudo o que alguma vez exitiu na minha posse..e na minha posse alguma vez sonhei existir...pede me o que quiseres, eu dou-te seja o que for...a nada te conseguiria alguma vez rejeitar e nada me cabe na cabeça que alguma vez me faça pensar nisso...e sem isso existo...existo para ti...e por ti...

Thursday, February 03, 2005

hey hey isto é so metade do caminho...

As gravuras causavam-me uma certa insegurança apesar de belas desci uma escadaria grotescamente decorada com elas e paralisei com a beleza do abusivo átrio religioso. Todas as paredes tinham dezenas de violentas gravuras com seres demoníacos e seres angelicais em pleno convívio.
Era tão sinistro como cativante e deixava-me cada vez mais nervoso...e as criaturas moviam-se lentamente como que a começar a execução de um plano muito bem estruturado para por em causa o meu repentino aparecimento no seu território. Cada vez menos confortável vou-me dirigindo para o centro do gigante salão onde me apercebo que a coisa de 15 metros acima de mim novas criaturas se movimentam com a ideia de descer os pilares na minha direcção... até realizar que me encontrava rodeado de seres, ausentes ao meu conhecimento, que olham para mim como que a pedir uma justificação para eu estar ali. Senti um imediato calafrio nos pés e, logo a seguir, nas pernas proveniente de tentáculos que me agarraram e me elevaram ligeiramente no ar ao que as criaturas tomaram como um sinal de ataque e saltaram todas em cima de mim cravando inúmeras armas lâminas no meu corpo preenchendo, de sangue, todo o antro religioso, soltando tenebrosas gargalhadas que ecoaram em todo o salão sugando a minha alma...ao que me passei a sentir completamente vazio e inútil.......